terça-feira, 26 de abril de 2011

"Sentimos dentro de nós um desejo incontrolável, inexplicável, incontido numa ânsia de vingança. Mas, de quem? Sentimos que uma fúria abissal nos consome desde sempre, nos queima por dentro, rosna latejando na nossa pele. Mas, por que? Sentimos nojo, nos causa repulsa ver e conviver com a vida. Não conseguimos ser indiferentes, desdenhar simplesmente. Mas, o quê? Tentamos fugir dessa prisão sem paredes, desse turbilhão de pensamentos, que nos arrasta rumo ao desconhecido. Mas, pra onde?
Assim vamos procurando em vão enganar a nós mesmos, criando um mundo ideal, um espaço no qual sejamos nós, apenas. O inominável nos angustia, penetrando por entre os poros dessa nossa pele tosca, por esses ossos carcomidos pelo tempo inexorável do viver, nada mais do que uma constante subtração, escorrendo, ecoando, pelos labirintos sombrios do nosso ser. Não precisamos de perguntas, não importam as respostas, pois já não pertencemos a este mundo. Somos você e eu um mesmo ser, compartilhando o tudo e nada, absortos por esta vida, que nos suga cada vez mais até o fim." (Wellington R. Fiorucci)

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