domingo, 28 de agosto de 2016

Words

Quando eu gosto muito de algo, quero que essa determinada coisa dure pelo maior tempo possível. Devoro meu chocolate preferido devagar, entre a luta de saborear cada pedacinho que se desfaz na boca e manter o sabor doce pelo maior tempo possível. Leio as últimas páginas de um bom livro lentamente, vivendo entre a curiosidade de saber o que acontecerá e a tristeza do fim. 
Eu gosto de me iludir achando que a gente pode esticar um final como quem estica um chiclete que já perdeu o gosto. Mas, será que é suficiente? Tenho minhas dúvidas. É bom acreditar que o melhor dia da vida pode durar para sempre, que as pessoas podem mudar e que relacionamentos não acabam. Eu já lutei tanto, mas tanto, contra as marés que me diziam que aquilo não ia funcionar. Mas o que fazer com o vício que tenho em permanência? Tenho medo de ir embora e perceber que o melhor era ficar. Sinto uma angustia infinita ao pensar que só temos uma vida e que errar pode ser fatal. E sabe o que eu não percebo de verdade? Que é mudando a rota que a gente encontra o caminho. É encarando o medo de frente que descobrimos nossa força. Eu sempre sei quando algo chegou ao fim ou está prestes a acabar. A gente nota a fria diferença, mesmo tapando os olhos, os ouvidos e queimando as provas. 
E o que eu descobri com o tempo? O aperto no peito não passa, a sensação de fracasso não vai embora e a frustração de não ter se permitido ou uma segunda chance vivida por um outro ângulo é mortal. A gente sabe, bem lá no fundinho, que adiar um final certo é permitir que o veneno mate aos pouquinhos, em doses dolorosas e traumáticas. 


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